3 de dez. de 2007

Retrato do artista quando coisa

"Tudo o que não invento é falso"
(Manoel de Barros)

Retrato do artista quando coisa: borboletas
Já trocam as árvores por mi.
Insetos me desempenham.
Já posso amar as moscas como a mim mesmo.
Os silêncios me praticam.
De tarde um dom de latas velhas se atraca
em meu olho
Mas eu tenho predomínio por lírios.
Plantas desejam a minha boca para crescer
por cima.
Sou livre para o desfrute das aves.
Dou meiguice aos urubus.
Sapos desejam ser-me.
Quero cristianizar as águas.
Já enxergo o cheiro do sol.
Manoel de Barros (Editora Record, 1998)
Maiores informações sobre o autor e sua obra no seguinte link: http://www.fmb.org.br/index.php?idp=4

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