10 de nov. de 2007

“Pátria Que Pariu!” traz poemas alusivos
à crise ética e política que assola o país

A obra - que está sendo publicada pela Autêntica Editora, em co-produção com o Selo Literário Hipotrélico e com apoio cultural da Cook Eletroraro - traz uma seleção de 28 poemas produzidos por José Edward ao longo das duas últimas décadas. Como o próprio título sugere, a maioria faz alusão à crise ética e aos (maus) costumes políticos vigentes no Brasil. Este é o enfoque, por exemplo, do poema-título (“Pátria Que Pariu!”) e de outros, como “Por quanto se vende um país?”, “De quantos cupinchas de faz um rei” e “Margens Pérfidas”. Há também poemas que fogem dessa temática, como “100 anos sem solidão”, no qual o autor homenageia o centenário arquiteto Oscar Niemeyer, e “Internetudo”, que versa sobre o que José Edward chama de “cibernÉTICO mundo novo”.

Uma primeira versão do livro “Pátria que Pariu!” foi lançada em 1989, quando José Edward era estudante do curso de jornalismo da PUC-MG e militante de movimentos culturais e estudantis. O livro fez sucesso e chegou a ganhar uma página no antológico semanário carioca O PASQUIM, que então ainda vivia seus áureos tempos. Na chamada para a reportagem, o editor e cartunista Sérgio Jaguaribe, o Jaguar, comparou o estilo poético de José Edward ao de um dos mentores do movimento beatnik, o americano William (Bill) Burroughs, sobre quem tinha também uma matéria naquela edição: "José Edward e Bill Burroughs são dois poetas que têm uma coisa em comum: o nojo do sistemão", assinalou Jaguar.

Na (re)edição do livro “Pátria Que Pariu!”, José Edward, que é mineiro de Brasília de Minas (antiga Sant”Ana de Contendas e há dez anos é correspondente da Revista VEJA em Minas Gerais, faz uma releitura de alguns poemas da primeira versão. Segundo o autor, os versos antigos foram lapidados no conteúdo e na linguagem. “Para mim, a poesia é como um diamante bruto, cujo burilamento faz-se eternamente mister, em busca do verso perfeito”, ele afirma. Os demais poemas são inéditos e foram construídos à luz de “informações e inspirações” garimpadas pelo autor ao longo da última década quando dedicou-se quase que exclusivamente ao jornalismo. “Meus poemas geralmente abordam, de forma cáustica e direta, as mazelas, as excrescências e as corruptelas de uma pátria que, entra governo sai governo, está sempre no porvir”, afirma Edward. “Mesmo aqueles versos compostos há duas décadas – e isto foi o que me motivou a revisitar esta obra – parecem ter saído do forno em meio à atual farra patrocinada pela horda de políticos corruptos, insensíveis e incompetentes que trucidaram toda e qualquer esperança de que dias melhores virão”.

Nenhum comentário: