25 de nov. de 2007

entrementes


vendi meus verbos numa feira por aí
num domingo qualquer, a tarde a cair
vendi meus versos e o meu país
vitupérios e bazófias em guarani

verti meus versos para um idioma em mi
bravatas que eu disse, sem um nadir
perdi meus versos, sem ao menos diluir
e de todos eles já faz tempo eu me esqueci

escrevo entre espasmos sem poente
tartamudeio quando frente a frente
com as ricas rimas do primeiro lente

sou escravo de uma forma aparente
trago meus versos, primavera nos dentes
por entre os silêncios do de repente


Getúlio Maia

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